sou palavra
seca
com sede
de beber
da tua nuca
curta.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
meu enredo no teu compasso
não é saudade, benzinho.
é vontade de revirar
o tempo e o espaço
e viver de novo
aquela tarde
aquele cheiro
aquele enlace.
é saudade não.
é só um samba silencioso
desses que nem batuque
faz mais.
não é saudade, benzinho.
é descompasso.
é vontade de revirar
o tempo e o espaço
e viver de novo
aquela tarde
aquele cheiro
aquele enlace.
é saudade não.
é só um samba silencioso
desses que nem batuque
faz mais.
não é saudade, benzinho.
é descompasso.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
metalinguísticas #1
vou ter que inventar palavra
pra isso que não é saudade
mas vive na memória
pra essa vontade
que é também distância.
porque não há palavra apropriada
pra essa mistura
de raiva e desejo
nem pra sede de te saber
mesmo sem querer.
vou ter que inventar sentido
pra nossa história vivida
sempre prestes a acontecer
uma pausa no repeat,
um tempo que não existe.
vou reinventar o dicionário
e criar nosso próprio
léxico silencioso.
pra isso que não é saudade
mas vive na memória
pra essa vontade
que é também distância.
porque não há palavra apropriada
pra essa mistura
de raiva e desejo
nem pra sede de te saber
mesmo sem querer.
vou ter que inventar sentido
pra nossa história vivida
sempre prestes a acontecer
uma pausa no repeat,
um tempo que não existe.
vou reinventar o dicionário
e criar nosso próprio
léxico silencioso.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
cruz-credo
que falta de fé
que me acomete
de sorriso
de simpatia
falta de permanência
essa que me assola
os pés
a mente
e o afeto
andarilha de mim
mosaico de dores
humanidade indigesta.
que me acomete
de sorriso
de simpatia
falta de permanência
essa que me assola
os pés
a mente
e o afeto
andarilha de mim
mosaico de dores
humanidade indigesta.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
fronteiriça
emaranhada nos mistérios da tua barba, inventei sorriso e palavra. fui de meninice e de pura lascívia. desvendei curvas e pintas e até fiz casa nos cantos mais bonitos do teu corpo. me enrosquei irremediavelmente nos pêlos do teu queixo
e lá permaneci,
entorpecida.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
manifesto para 2013
é certo que nossos ciclos mais particulares da vida não estão necessariamente em sintonia com os finais de ano. mas veja bem, sou gente também. e essa coisa toda de resoluções de ano novo é parte dessa cultura muito doida que educou a gente a vida inteira e fica difícil escapar completamente dessa atmosfera de promessa de coisas novas pro ano novo.
aliás, que ciclo que nada. a vida é fluxo. nada se fecha completamente, tudo vira história e vira parte orgância da carne e da memória que todo mundo é. as histórias se emendam, caoticamente. as coisas se atropelam. tem até uns hiatos entre coisa ou outra, mas parada não fica. e se for pra passar essa vida ilesa a isso tudo, melhor caçar um jeito de parar de respirar logo. porque dá praticamente na mesma.
e por falar em carne, uma resolução pra 2013 é avisar logo de cara pra todo mundo que eu conhecer que também sou feita de carne e osso. vai ser a saudação do ano "oi, eu sou Angelica. de carne e osso". tá certo que é meio absurdo ter que avisar as gentes ao seu redor que tu dói e sangra também, mas se é assim que é, é assim que é. vou acrescentar um "e pulso também" pra ninguém dizer que nem imaginava que no meio dessa expressão toda altiva e firme também não tem moleza, nó na garganta, cacos e uma sensibilidade ridícula e intensa com isso de saber que é tudo fluxo, desordenado e lindo.
e os desavisados que permaneçam ilesos.
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