eu bem des-confiei
dessa sua timidez tão doce.
mãos no bolso
ou no cigarro
olhos ofuscados pelos óculos.
gestos silenciosos
e movimento felino.
o charme é todo
transbordante.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
sobre a recusa de despedidas
porque não haveria de ter uma despedida definitiva sequer. a última seria como todas as outras: entre beijos doces, abraços esgotados e carinho transbordante. algumas palavras confessadas no vazio de um apartamento desconhecido. dores desabafadas, gargalhadas tão sutis. pedidos atendidos e outros prometidos. suspiros de corpos tão aliviados do gozo do reencontro.
porque nunca haveria uma despedida, além da troca de levezas entre dois cúmplices.
porque nunca haveria uma despedida, além da troca de levezas entre dois cúmplices.
minha insônia dói
as dores tem vida noturna.
sentem conforto no travesseiro
e no escuro de qualquer quarto.
se escondem o dia inteiro.
quietas, sempre tão discretas.
e quando anoitece e o silêncio chega,
despertam e exigem atenção exclusiva.
dores ficam histéricas na madrugada.
e se desmancham em água
por entre os lençóis.
sentem conforto no travesseiro
e no escuro de qualquer quarto.
se escondem o dia inteiro.
quietas, sempre tão discretas.
e quando anoitece e o silêncio chega,
despertam e exigem atenção exclusiva.
dores ficam histéricas na madrugada.
e se desmancham em água
por entre os lençóis.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
flor
florescem os vazios de mim.
de compridas e pálidas pétalas,
de secas folhas cheias de nervos
onde pulsa o nada.
desenhada de solitude,
a flor da minha dor.
de compridas e pálidas pétalas,
de secas folhas cheias de nervos
onde pulsa o nada.
desenhada de solitude,
a flor da minha dor.
à revelia
esqueceu de dizer que isso de viver é também coisa doída.
daquele tipo de coisa que mastiga a alma, com lentidão perversa e quase bela de tão leve. coisa assim que disfarça o tempo, mas dele nunca se desfaz, enganando vontades e anseios. é dessas coisas que se esquiva fácil, fácil.
esqueceu de dizer também que há quem nem o doído da coisa sinta e que não há sentido que lhe interesse nessa coisa tão absurda. e que gentes assim não querem sentido, e nem tem sentido a coisa também.
vivem à revelia da própria coisa, essa de viver.
daquele tipo de coisa que mastiga a alma, com lentidão perversa e quase bela de tão leve. coisa assim que disfarça o tempo, mas dele nunca se desfaz, enganando vontades e anseios. é dessas coisas que se esquiva fácil, fácil.
esqueceu de dizer também que há quem nem o doído da coisa sinta e que não há sentido que lhe interesse nessa coisa tão absurda. e que gentes assim não querem sentido, e nem tem sentido a coisa também.
vivem à revelia da própria coisa, essa de viver.
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